“O cachê do artista está sempre certo; o da parte autoral, não. Ao deixar de pagar por um bem cultural, com o intuito de se democratizar a difusão, tem-se uma falsa percepção das pessoas ao pensar cultura. Não é somente o autor que tem que arcar com a cultura, já que todos ganham nesse circuito, em que ele é o único que não recebe”, constata o especialista.
Ele coloca a falta de arrecadação dos contratantes de shows no centro da garantia de sobrevivência do compositor. “O problema patrimonial vem em decorrência da pirataria e da crise no mercado fonográfico causada por ela. A vendagem de discos despencou, enquanto a arrecadação por conta dos shows subiu – mas ainda é pouco, em comparação à capacidade do Brasil em arrecadar”, afirma Rodrigo.
ESTADO – Para ele, a sociedade precisa saber de onde vem “a música que faz sucesso no verão, que faz a banda vender abadá, camarote, que gera muito dinheiro”. O autor, sozinho, “não pode ficar brigando com as rádios, tevês e contratantes. Não é prudente, ele pode sofrer sanções. Teria que haver participação do Estado na regulação e acompanhamento das leis”.
Mesmo assim, há os que fiscalizam a arrecadação sistematicamente. Um deles é Alain Tavares, autor de sucessos como Namoro a Dois, em parceria com Gilson Babilônia, Rapunzel e Cadê Dalila?,em dupla com Carlinhos Brown.
“Gasto uns R$ 700 de telefone cobrando às associações, ao Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), para fiscalizar, resolver minhas coisas. É uma luta. O pessoal só ganha, e não se faz nada pelos compositores. Eu pago 27% de imposto ao governo para ver ele sem fazer nada por nós, deixando a pirataria corroer nosso lucro.”
* Jornalista: CECI ALVES
Fonte: http://www.atarde.com.br/jornalatarde/caderno2/noticia.jsf?id=1058015